Samstag, 13. Januar 2018

Que lixo!



Desde que cheguei aqui em Bremen, comecei a me interessar por lixo. Não é metáfora, e nem brincadeira. Estou falando de lixo mesmo, coisas que estão sujas, incomodando, porcarias que a gente joga fora. É que aqui jogar coisas fora é uma verdadeira ciência, cheia de fórmulas e detalhes a serem observados. 

Para um país que não tem o luxo de ter muitas riquezas naturais, a indústria do lixo e reciclagem é muito rentável. A Alemanha faz muito bom uso de seu lixo e, com isso, é a campeã europeia de reciclagem e reutilização do lixo. As pessoas aqui levam a separação do lixo muito a sério até porque jogar tudo fora num bolo só pode sair muito caro.

Existem milhões de tipos de lixo aqui e demorei pra entender essa porcaria toda. A casa de uma família pode normalmente separar até 7 tipos de lixo: o de papel e papelão, o de embalagens plásticas, vidros, o biodegradável, o comum, os especiais e outros.

O de papel e papelão pode ser colocado em uma grande lixeira de tampa azul ou colocados organizadinho em dias específicos na porta de casa e é recolhido por um caminhão a cada duas semanas. O mesmo acontece com as embalagens. Ele é geralmente coletado no mesmo dia, só que por um caminhão diferente e tem de ser colocado em um saco amarelo, especialmente destinado para isso. 


Os vidros não são coletados na porta de casa. No geral as pessoas vão juntando seus vidros e, um dia, levam a um desses pontos de coleta espalhados pela cidade. Em todo bairro, tem pelo menos um. 


Depois que a gente se livra dos papéis, plásticos e vidros, realmente não fica muita coisa mais para jogar fora. O que resta pode ser descartado na lixeira biodegradável (restos de comida, cascas de frutas e verduras, etc), o que não custa absolutamente nada. Se ainda assim tiver coisa para jogar fora, vale usar o lixo comum, que vai em uma lixeira como essa aí da direita. 

Lixeira biodegrdável e Lixeira comum
Esta aí é recolhida também uma semana sim outra não, normalmente alternada com a coleta do papelão e das embalagens.

Quando você vai morar em algum lugar, sua casa provavelmente vai ter uma lixeira dessas. Elas têm profundidade diferentes que variam de acordo com o número que pessoas que vivem na casa. Como elas são recolhidas somente a cada duas semanas e não são tão grandes assim, faz sentido tentar controlar o que você descarta ali dentro. Até mesmo porque existem tantas formas diferentes de descartar lixo que realmente quase não precisa lançar mão dela. Na minha casa, essa lixeira quase nunca fica cheia.

Além desses tipos de lixo aí, ainda existem os pontos de coleta de baterias e pilhas em quase todos os supermercados da cidade, o lixão da cidade e o Sperrmüll. O lixão da cidade aceita restos de construção, tinta, produtos químicos etc. Basicamente todas as coisas que você não pode descartar das outras formas, pode colocar no carro e levar até eles. Lá eles recebem e dão o fim apropriado a tudo. Mas se prepare porque pode ser que tenha de pagar uma pequena taxa se aparecer lá com um carro muito lotado de bagulho.

O Sperrmüll, por sua vez, é uma espécie de lixão para aquelas tralhas que a gente vai acumulando pela casa e para as quais a gente não sabe bem que fim dar. Eletrodomésticos quebrados e móveis velhos, é o que mais se encontra nesse tipo de lixo. Para usar esse serviço, você liga para um número, avisa mais ou menos de quanto bagulho você pretende se livrar, marca um dia com eles e, na véspera, coloca seus bagulhos lá. No dia combinado, vem um caminhão e leva tudo embora. 
Imagem: Pixabay
O Sperrmüll faz o maior sucesso na cidade. Tem gente que vive disso. Muitas vezes, quando se está colocando os bagulhos lá fora, já tem gente que fica à espreita esperando para pegar o que você vai colocando ali. Elas levam coisas de metal e tudo o que pode ser valioso para revender como ferro-velho. Além disso, tem pessoas que adoram garimpar os tesouros, que muitas vezes se escondem ali no meio das tralhas. Na minha época de estudante recém-chegada aqui na Alemanha, me contaram que, no nosso apartamento, a metade dos móveis tinha vindo do Sperrmüll. 

Como se todas essas formas de descartar coisas não fossem suficientes, ainda existe uma forma super gracinha de se livrar de coisas aqui. O famoso “zu verschenken”. Passeando pela cidade, de vez em quando a gente encontra objetos organizadinhos em caixas, pertinho das casas, com um papelzinho escrito “zu verschenken”, que quer dizer: “para presentear”. Quando você encontrar isso, pode parar, dar uma olhada e pegar o que você quiser. Pode ser que no lixo de outra pessoa, você acabe encontrando um presentinho pra você.

  

Ah! Nesta época do ano, eu não poderia deixar de contar uma outra curiosidade interessante. Esta semana já está agendada a coleta das árvores de natal. As árvores coletadas são, em sua grande maioria, doadas a zoológicos, que as reutilizam como alimento para elefantes, girafas e outros herbívoros.

Além de doar essas árvores a cidade, muitas vezes, também as revende para fazendeiros, que também as usam para complementar a alimentação de animais. O mais interessante, porém é que aqui na Alemanha, onde eles prezam tanto pela ordem e onde tem regras pra tudo, na hora descartar as ávores de natal, eles se permitem um momento de mais pura anarquia e as jogam pela janela. 



Não, vocês não entenderam errado não. ELES JOGAM AS ÁRVORES PELA JANELA ABAIXO. Claro, eles olham, mandam alguém descer pra ter certeza que ninguém vai estar logo abaixo quando a árvore cair. Mas é essa bagunça aí mesmo. Ou seja, baiano fala bastante, mas é aqui onde a madeira desce!


Revisado pela maravilhosa Nina Hatty. Olha o canal dela aqui:-). 

Sonntag, 24. Dezember 2017

10 anos de A Saltimbanca



Já que faltam pouquíssimos dias para 2017 acabar, tive de correr para falar sobre uma data importantíssima aqui pro blog. Em 2017 A Saltimbanca completou 10 anos. 10 anos, gente! Imagina isso ai... Descobri por acaso e por pouco não deixei passar em branco. 



Quando comecei em agosto de 2007, tinha duas intenções: uma era perder o medo de expor o que eu escrevia e o segundo era responder de uma só vez as perguntas que me iam sendo feitas pouco a pouco por pessoas que eu conhecia há vários anos no Brasil, e que estavam interessadas em minhas andanças depois que me mudei para Bremen.


Durante todo esse tempo, meu blog me encheu de alegrias, me deu motivos para pesquisar e me ajudou a conhecer pessoas bacanas. Apesar de quase nunca conseguir manter minha meta inicial de postar uma vez por semana, A Saltimbanca me estimula e escrever e a refletir sempre. Isso é uma coisa que me ajuda tanto profissionalmente quanto em minha vida pessoal.



Ao reler meus posts antigos percebo o quanto evolui. Redescobri a importância de ser cuidadosa com as palavras e comecei a fazer uma verdadeira faxina em meu vocabulário. Descobri a necessidade de me aprofundar em todas as discussões nas quais eu me meto para não correr o risco de ser injusta com ninguém sem querer. 


Por causa de A Saltimbanca, transformei o ato de estudar em hobby e como consequência embarquei num processo maravilhoso de desconstrução e amadurecimento. Decidi aproveitar esses 10 anos para fazer releituras tanto literais, como as que me fizeram descobrir essa data maravilhosa, como as metafóricas, que vão me ajudando a me desenvolver como ser humano. 

 
Vou seguir fazendo isso no meu ritmo, sem me obrigar a nenhum tipo de regularidade aqui, mas o meu compromisso com meu blog seguirá sendo o mesmo: meu crescimento individual, a troca de ideias e ampliar a rede de contatos com pessoas da mesma “vibe”. 


Quem vem comigo?

Donnerstag, 7. September 2017

Guest Post: Pra Falar de Comer em Bremen - Por Lali Souza



Sendo bem sincera, nunca pensei que um dia fosse a Bremen. Porém, a saudade e a vontade de conhecer a casa de Cris – também conhecida como a dona deste blog – falou mais alto.  Ainda bem.

Depois de mil planos e promessas, finalmente - como gente diz lá na Bahia – “arrumei meus pano de bunda” e parti para conhecer a tal cidade. O resultado eu conto logo, porque eu não tenho exatamente muita paciência pra suspense: AMEI. Foi paixão à primeira vista. Por isso acho que fiquei tão animada e honrada quando Cris me convidou a dividir minhas impressões aqui.


Já de cara, me encantou a organização e limpeza da cidade. A sensação que dá, logo nas primeiras voltinhas, é que tudo está no lugar certo, sem espaço pra muita bagunça. Mesmo com uma série de obras viárias rolando, a cidade funciona, flui bem e isso é muito massa. 


Outro aspecto que fez meus olhos brilharem é o fato de ela ser toda projetada para as bicicletas. Talvez por eu ser de Salvador (haja ladeira!), onde ciclovia é coisa rara de se ver, isso tenha me chamado tanto a atenção, mas eu achei super bacana (além de sustentável) ver gente de tudo quanto é tipo, idade, famílias inteiras pedalando juntas por aí. E as criancinhas? Um caso de amor à parte.


Ao todo, foram oito dias intensos, que envolveram estar entre amigos, passeios, turismo, pedaladas, tudo regado a MUITA comida boa. Bremen também me ganhou pela boca. A impressão é que se come bem a preços justos, o que é super importante, principalmente para uma estudante como eu. A relação custo X benefício me surpreendeu positivamente.


Eu acredito que uma das melhores formas de se viver uma cidade é provando os seus sabores. Resolvi compartilhar as seis experiências gastronômicas que mais curti em Bremen, pois não encontro uma forma mais “a minha cara” de retratar essa estadia. De quebra, o post ainda fica de inspiração para quem passar por lá.


1) BRATWURST: Aquele bom e velho clichê alemão que é pedida obrigatória: salsicha. Essa é das boas e pode vir acompanhada de pão ou de batatas. Provei no Biergarten da Haus am Walde, no Bürgerpark, por 5,90€. Aproveita para tomar uma bela cerveja e dar uma volta de bicicleta pelo parque, que é lindo.
 

2) YALLAYALLA FALAFEL: É um restaurante de comida árabe ma-ra-vi-lho-so. A refeição custa por volta dos 9€ e é apenas enorme! Tivemos um pequeno problema com o atendimento (pedi a minha refeição em versão wrap e veio no prato), mas o rapaz conseguiu contornar a situação com simpatia, uns biscoitinhos grátis e ficou tudo bem.


Se você gosta de comer pra se acabar, este é o lugar certo. Caso não seja a sua praia, divida um prato com alguém e seja feliz, pois vem o suficiente pra dois.


3) SCHÜTTINGER: É a cervejaria mais antiga de Bremen. O lugar já anima pela decoração incrível em clima medieval, que pede o quê? O quê? Cerveja, claro. Para acompanhar a brejinha, comemos Currywurst, que é uma salsicha delícia, com molho de katchup e curry, acompanhada de batatas fritas. A versão pequena do prato (foto) custou 7,40€.


4) ROSUŁ + ROULADEN: Tive a honra de ser convidada para uma típica refeição polonesa durante esses dias em Bremen e a experiência foi incrível! Tomamos Rosuł de entrada, uma sopa com massa e legumes deliciosa. Ela é tão cheia de sabor que poderia ser prato único, mas a folia gastronômica não parou por aí. 


Como prato principal, serviram uma espécie de rolo de carne recheado chamado Rouladen. A carne é acompanhada de um molho muito bom e uma espécie de “bolinhos de batata”, que eu vou ficar devendo o nome (foi mal aí!).


Se você tem um amigo ou conhece alguém que tem um amigo/parente Polonês, peça isso. Peça com vontade. Vai valer a pena! 


5) KNIPP: Mais uma salsicha, sim. Ela é feita da mistura de carne e grãos e é, simplesmente, maravilhosa. A aparência não é das mais incríveis, mas pode confiar no sabor, é incrível. Como já é de se esperar, vai bem com batatas. Eu não tenho fotos, pois a fome foi mais rápida! 


6) CERVEJA, É CLARO! A Alemanha é o paraíso para os amantes da breja, né? Bremen é recheada delas e tem de tudo quanto é preço, tipo e lugar. A BECK´S é uma marca da cidade e é bem gostosa. A cerveja não é muito pesada e, geladinha, refresca que é uma beleza. Outra que provei por lá é a Hemelinger. Saborosa e encorpada, uma boa opção pra provar também.
 

Essa viagem ainda marcou o meu reencontro com a cerveja que mais amo no mundo. Sei que o tema aqui é Alemanha, mas adorei saber que em Bremen vende a New Castle Brown Ale. Caso vá a Bremen, aproveite pra cometer esse pequeno (e gratificante) pecado!


Não é que a tal Bremen ganhou um lugar todo especial no meu coração? A experiência foi memorável, não somente pelas pessoas lindas que revi e conheci, mas por ser uma cidade, realmente, encantadora. Auf Wiedersehen, Bremen. Danke!