Freitag, 5. Dezember 2014

Consumo seletivo



Não sou uma grande fã de comprar roupas e sapatos. Gosto desses itens, mas só de pensar no tempo que se perde escolhendo coisas, nas pessoas que parecem hipnotizadas olhando as roupas com uma paciência quase meditativa em frente ao cabide no qual eu quero ver algo rapidinho, na grana que se gasta, nos provadores das lojas com aquela iluminação dos infernos, planejadas para realçar cada ponto de celulite de nossas bundas, começo a me coçar toda em sinais claros de alergia. Affffffe ô coisa que eu odeio! Isso sem contar que me apego a certas peças de roupa. Se ficou bonito, ferrou! Encarno num visual e uso uma camiseta até furar. Deprimente e desnecessário, eu sei. Mas como diria Gabriela "eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim", fazer o quê? Mesmo assim, de vez em quando me pego tendo uns ataques de peruice profunda e acordo disposta a entrar em lojas, experimentar coisas e gastar meu suado dinheirinho sem compaixão.
                                                                                            
Quando tenho um ataque desses, também não fico me controlando, não. Parto pra ofensiva mesmo e o que acontece é mais ou menos assim: Acordo cedo pra desbravar as lojas assim que abrem, quando as prateleiras e cabides ainda estão arrumadinhos e os outros consumidores ainda não começaram a pensar em gastar. Coloco um sapato confortável, fácil de calçar e descalçar e coloco uma roupa igualmente gostosa de usar e fácil de tirar pra facilitar o tira- e-veste-de-novo do processo. Se estou no Brasil, procuro aquele cartão de crédito com um limite bom que vive escondido em alguma gaveta remota que quase nunca abro e se estou na Alemanha faço um belo resgate de meu fundo de investimentos que mantenho escondido embaixo do colchão e lá vou eu aquecer a economia local.

Chego na rua me sentindo: "Tô pudendo, hein galera!! Sai da frente!" E vou com toda sede ao pote e toda paciência meditativa que normalmente me irrita, futucar os cabides das lojas. Algumas horas depois, faço uma pausa pro almoço e para examinar minhas aquisições e o ciclo recomeça, até o estômago roncar de novo algumas horas depois, quando faço minha segunda pausa, desta vez acompanhada de uma cerveja e aí é quando o ataque de peruice normalmente vai esfriando, a medida que as cervejas vão sendo servidas, até quando ele passa totamente e eu volto pra casa meio cambaleante tentando equilibrar minhas milhões de sacolas pelo caminho.

Essa semana tive um desses ataques e fiquei feliz da vida ao constatar que já na primeira loja que entrei me armei. Era tanta coisa bonita e barata que a febre ameaçava nem durar até a hora do almoço. Já estava quase indo pagar  quando uma voz chatinha no fundo de meu cérebro me implora pra dar uma olhadinha na minha bolsa antes de me dirigir ao caixa e aí é quando eu não encontro minha carteira.

"Não acredito!!!" Esbravejo, enquanto procuro feito doida dentro da enorme bolsa que não sei porque tinha achado que seria uma boa idéia usar justo hoje. Procuro por toda parte e por fim tenho de aceitar a realidade, que realmente esqueci a danada em casa. Largo tudo em qualquer lugar e saio da loja mau humorada, frustrada e de repente me transformo em terrorista e penso: "Porra de consumo! Isso representa tudo que há de errado com o mundo! Se tivesse uma bomba aqui, explodiria todas as cidades do mundo, todas as lojas e todas as roupas e sapatos já!!!"

Chego em casa com meu rabinho entre as pernas e me ponho a procurar a bendita. Procuro por toda a parte e nada. Já estou na fase da triste aceitação de que devo té-la perdido e resignada, começo a fazer uma lista mental de todos os cartões que terei de cancelar, quando de novo a tal vozinha de lá do fundo do cérebro me diz uma das frases mais imbecis, porém mais cheias de razão que já foram inventadas pelo ser humano: "Calma, Cris. Procure de novo. Sua carteira deve estar em algum lugar."

Dou uma respirada bem funda, ignoro minha irritação com minha própria lógica  abestalhada e me ponho a procurar novamente, desta vez com mais calma, cuidado e atenção. Resolvo esvaziar a tal maxi bolsa que tinha levado pra rua. Calmamente, vou abrindo e retirando coisa por coisa, abrindo cada bolsinho, passando a mão em cada sub parte de seu interior, quando de repente sinto uma textura familiar. Lá estava ela, minha carteira, escondidinha em um dos bolsinhos de minha bolsona, quietinha e cheia de dindin que não foi gasto, calma e irônica como a rir de minha cara ou da moral de uma estória que eu precisei de um dia inteiro pra entender: minha carteira, consciente do fato de que pertence a alguém que tem planos insanos de gastar o que não pode, lança mão até de ilusionismo e camuflagem pra se defender do ataque de consumismo descontrolado de sua dona.

Interessante que ela nunca se camufla assim quando vou pro bar. Ridícula...




Donnerstag, 20. November 2014

Consciência Negra: Irmãos de cor na Alemanha



Quando decidi vir pra Alemanha há mais ou menos 12 anos a coisa que mais me preocupava era como eu enfrentaria o racismo. Tinha certeza que quando chegasse aqui iria ter de passar por  situacões desagradáveis, só não sabia como elas se manifestariam e como me defenderia. Mas estava decidida a vir. Meu futuro marido estava aqui e me garantia que não precisava ter medo, que existia muito racismo aqui sim, mas que a gente se adapta, se fortalece, luta contra e aprende a  viver com isso. No final das contas o amor falou mais alto e acabei vindo com medo e tudo.


Logo que cheguei, talvéz por causa da minha expectativa anterior, me surpreendi. Andava meio na defensiva, com medo dos ataques que poderiam vir de qualquer lugar inesperado, mas com o passar do tempo fui percebendo que as situações desgradáveis para as quais eu me preparava tanto nunca vinham. Pelo contrário, comecei a notar que muitos dos alemães que eu encontrava por aí sabiam muito mais do Brasil, sem nunca terem ido lá, do que eu sabia da Alemanha apesar de já estar vivendo aqui. 

Percebi também que muitos tinham um interesse genuíno pelo Brasil, sua história e sua gente. Comecei a relaxar e perceber que os monstros que eu esperava encontrar aqui não andavam assim espalhados por toda parte e que essa terra estava passando por um processo de mudança impressionante, se tornando cada vez mais internacional, aberta e tolerante. 


Comecei a ver reconhecidas certas características minhas que no Brasil ou passavam despercebidas ou eram logo menosprezadas mesmo, como meus olhos escuros, a cor de minha pele e principalmente meu cabelo. Nunca fui chegada a chapinha ou alisamentos simplesmente porque me irritava ser dependente de qualquer coisa no meu dia a dia. Meus cabelos sempre foram mais pro natural por questão de praticidade mesmo, mas confesso que de vez em quando cedia a pressões da família („menina, que cabelo doido, vai dar um jeito nisso“ era uma das coisas que eu ouvia das super bem intencionadas mulheres da minha família) e acabava dando um relaxamentozinho aqui outro alí. Aqui na Alemanha aprendi a gostar genuinamente de minha imagem no espelho, inclusive do meu cabelo „doido“ e eu serei pra sempre agradecida a esse país por isso. 


Depois de ouvir  incontáveis elogios a gente acaba se convencendo de que não há nada de errado com a gente e isso é maravilhoso. É um grande alívio quando percebemos que podemos escolher mudar alguma coisa em nossa aparência, mas não nos sentirmos forçados a mudar nada por uma mera questão de aceitação. Esse é o ponto: assim que cheguei em Bremen, eu como negra, me senti aceita e isso foi fundamental pra minha história aqui neste país.


Infelizmente a fase do namorinho apaixonado um dia chega ao fim em qualquer relação e a minha com a Alemanha não podia ser diferente. Passado o primeiro momento de encantamento, comecei a perceber que aqui as experiências de negritude variam muito e nem sempre as de outros negros com os quais eu convivi aqui foram assim tão positivas quanto as minhas. Prestando mais atenção e conhecendo mais pessoas, acabei notando que o racismo aqui se manifesta de forma muito complexa e em muitos momentos ele fica até difícil de identificar por ser confundido com outras coisas. Ou seja, acaba parecendo muito com o que acontece no Brasil.


Hoje em dia, com o olhar mais crítico de quem já passou da fase de encantamento com o novo país, percebo que quanto mais escura a cor da pele, maior o racismo enfrentado. A origem também é um fator importante. Todo mundo ama um negro latino, mas esse amor nem sempre se extende aos africanos. O preconceito aqui se manifesta, pelo menos pra mim, mulher brasileira, negra de pele não tão escura, de forma bem cordial. Eu entro em um lugar e as pessoas já esperam que eu seja a atração da festa. Todos acham que eu só vivo feliz. Que sei cantar, dançar, que sinto frio o tempo todo, que venho do morro, que sou super sensual e só penso naquilo. 


Na verdade, nem sempre me incomodo quando alguém tem essa imagem de mim. Essas só são primeiras impressões que podem ser descontruídas quando se conhece alguém melhor. O que incomoda mesmo é quando a gente percebe que essa é a única imagem e que por ela ser tão reduzida e rígida, acaba me limitando também. É um saco ter sempre que conversar sobre essas mesmas coisas aí, simplesmente porque muita gente não entende que existe mulher negra brasileira que não sabe dançar, que não entende nada de futebol, que não acha o frio tão horrível assim e que não está o tempo todo tentando seduzir alguém.


Eu tenho a sorte de conviver com pessoas de mente mais aberta e reflexiva. Já passei por umas situações esquisitas, mas foram poucas. Enquanto isso tem gente que tem de lidar todos os dias com coisas muito piores como com o fato de sempre serem tratados como estrangeiros apesar de terem nascido aqui, com os olhares insistentes que ou desconfiam ou tem uma curiosidade invasiva e com as oportunidades de emprego mais escassas todos os dias. Esse é o racismo nu e cru dispensando qualquer cordialidade.


No meio de tudo isso a gente acaba reconhecendo nossos iguais. Pessoas, que como a gente sofre com as mesmas coisas e por isso entendem exatamente porque agimos como agimos. Por isso não é raro que caminhando pelas ruas de Bremen de vez em quando se encontre outros negros e negras que do nada se cumprimentam. 

Quando isso aconteceu comigo pela primeira vez, respondi a saudação, mas achei estranho. Sendo soteropolitana, se eu sair por aí saudando cada negro igual a mim que encontrar na rua, vou passar o dia inteiro só dizendo „oi“. Até que um dia, uma negra, até meio parecida comigo, passou por mim e me cumprimentou de uma forma que me fez entender tudo. 

Ela sorriu e disse „Hi, sister“. O que pra ela foi somente um cumprimento, pra mim significou muito mais. Queria dizer: estamos aqui nesse país cheio de pessoas diversas, mas existe algo em mim e em você que nos separa de muitos deles ao mesmo tempo que nos conecta com muitos outros, de lugares que eu e você nem podemos imaginar. Eu vejo você e você me vê, mas pra ser visto muitas vezes é preciso passar por muita coisa e viajar pra muito longe. 

Desde então toda vez que encontro um outro preto ou preta por aí, não hesito em sorrir e dizer „oi irmão/oi irmã“ e pensar comigo mesma „Estamos aí. Estamos aqui“.

Guest Post para o blog Quero Aprender Alemão.


Sonntag, 22. Juni 2014

Sem medo de ser triste

Imagem: Pixabay
Escravo da Alegria é uma música de Toquinho e Vinicius que eu amo, mas que ultimamente tem me irritado um pouco quando escuto. A questão é que hoje em dia, ao contrário do que eles cantam, ser ou (pior ainda) parecer estar feliz, não só é normal como uma verdadeira obrigação. Só que aqui entre nós, isso é uma farsa que além de cansativa, ninguém aguenta manter.



Antes de continuar, deixa eu esclarecer uma coisa: A-D-O-R-O a alegria, acho bacana ser feliz e prefiro o riso ao choro, sempre. Na verdade, não tenho problema nenhum em dizer que me considero uma pessoa hilária e constantemente recebo confirmações disso através de meus amigos e conhecidos. Muita gente ri das besteiras que falo, me diz que eu sou engraçada etc. Minha sogra (vejam bem, MINHA SOGRA!!!) me chama carinhosamente de "Solzinho" porque segundo ela quando eu apareço todos sorriem. Que meigo, né? Pois é. Isso é a prova de que eu sou do time do alto-astral.


Mas mesmo sendo fã da leveza e da felicidade, eu ainda acho que o ser humano tem direito ao mau humor e mais importante ainda, à tristeza e à melancolia. Fazer de conta que esses sentimentos não existem faz mal à saúde e à qualidade dos relacionamentos que temos com outras pessoas. Ao meu ver, viver em um mundo no qual só se pode sorrir e ser feliz, mesmo quando nosso coração nos diz que estamos tristes, faz tão mal à alma quanto quando só se odeia, só se desespera, chora e se fala de coisas ruins.

Nossos sentimentos negativos também tem uma razão de ser. Sou a favor de tentar exergá-los de forma crítica, de tentar entendé-los e significá-los. Em alguns casos temos de tratá-los com ajuda profissional também. Acredito que é simplesmente neurótico viver negando suas manifestações e que é mais saudável aceitar que eles existem tanto em nós quanto nos outros e que de vez em quando, temos de lidar com eles e senti-los mesmo.


É interessante que hoje em dia se fala tanto em ser feliz, existem tantos adeptos da alegria contínua e positividade incondicional e que no entanto as pessoas reclamem tanto da vida, dos vizinhos, do trabalho, das festas que frequentam, dos seus relacionamentos... Eu acho que isso é sintoma de uma sociedade meio fútil, que é obcecada com tudo que é rápido e superficial. Não dá tempo de ser ou sentir nada de verdade, só de parecer e de mostrar. Acaba que proibimos nossa tristeza de dar as caras e nossa alegria nem é assim tão feliz quanto parece.


Nossos sentimentos negativos são excelentes professores que se bem observados podem nos ensinar lições valiosíssimas sobre quem verdadeiramente somos. Só que para aprender suas lições é preciso paciência, determinação, disposição para refletir e ir fundo nas questões que vão surgindo desse contato. Mas isso custa tempo, dá trabalho e muitas vezes é doloroso. O que é uma pena, porque quando não negamos nossa tristeza, nossa raiva, nossas confusões, nossas vulnerabilidades, ficamos mais leves, mais completos, mais interessantes e até mais humanos. Sei lá, acho que até nossa felicidade quando vem, é mais autêntica.

Montag, 9. Juni 2014

Caridade

Recentemente um milionário estadunidense começou uma brincadeira de esconder dinheiro por Los Angeles e São Francisco numa espécie de caça ao tesouro. Tudo que se sabe dele é que tem entre 35 e 45 anos, que sua fortuna vem do setor imobiliário e que ele dá dicas sobre os lugares onde esconde o dindin através de uma conta no tweeter. Um amigo meu estava me contando que muitas das pessoas que encontram a grana, escrevem pra ele agradecendo e contando como usaram o dinheiro. A maioria acaba gastando pelo menos parte dela ou com outros participantes da caçada ou em outras boas ações.

Esse acontecimento acabou virando um assunto recorrente tanto em meu círculo de amigos como em minhas turmas. Comecei a ouvir muita gente criticando e questionando esse tipo de brincadeira e outras formas de caridade. Muita gente acha realmente ridículo e considera duvidosa a motivação por trás desse tipo de atitude. Um aluno iniciou uma discussão, que rendeu pano pra manga, na qual ele debateu calorosamente as questões morais por trás do que leva pessoas, principalmente em países desenvolvidos, a promover eventos de caridade chiquérrimos para arrecadar doações para alguma instituição. Outros deram exemplos de pessoas que fazem trabalhos voluntários só pra se autopromover e posar de bom moço. Meteram também o pau nas pessoas que ajudam alguma organização somente com o intuito de ter uma coisa social pra colocar no currículo e com isso se destacarem no processo de seleção de alguma universidade de prestígio ou vaga de emprego concorrida.
Eu entendo as críticas. No mundo ideal, nossa motivação para ajudar o próximo deveria ser a mais pura bondade de nossos corações e o desejo genuíno de ajudar alguém e não só se aparecer ou o pensamento de que vantagens aquela experiência irá nos trazer. Mas isso seria em um mundo ideal, que todo mundo sabe, o nosso está longe demais de ser. Senti um certo incômodo durante toda aquela discussão e acabei por me fazer outro questionamento completamente diferente: por que a gente se apressa tanto em julgar a motivação dos outros?

Tudo bem, doar dinheiro pra uma organização porque a gente sabe que vai poder abater do imposto de renda pode até soar meio mesquinho. Eu de fato acho uma pena que nós chegamos a um nível de egoísmo tal que ajudar alguém só entra em questão se pudermos de alguma forma tirar proveito da situação, mas ainda assim, eu nunca ouvi dizer que uma intituição de caridade já tenha recusado um cheque de alguém por que soube que a intenção de quem estava doando era essa

Muitas instituições dedicadas a ajudar lidam com falta de recusos e não com excesso de doações e ajuda de pessoas egoístas, só interessadas em tirar onda. Uma vez entrei em contato com uma organização que eu queria ajudar e sem eu ter perguntado qualquer coisa, eles foram bem rapidinhos em me informar todas as vantagens que eu poderia ter ao dar minha contribuição. Ou seja, uma espécie de "pouco me importa qual a sua intenção, me ajude por favor! Vai ser bom pra você também".
Nosso mundo anda muito carente de boas ações. A gente passa muito tempo fazendo e se ocupando de inutilidades e enquanto isso as questões importantes do mundo estão aí se multiplicando e passando da hora de receberem atenção de verdade. Muita gente usa e abusa da capacidade de refletir e criticar. Nos habituamos a ficar procurando o que há por trás de tudo como se os eventos da vida fossem uma interminável fila indiana e nesse processo esquecemos de adicionar um pouco de ação ao processo todo.Nossa habilidade de pensar de forma crítica vira julgamento e já que esses julgamentos que fazemos dos outros quase nunca vem acompanhados de sugestões de como proceder melhor, o resultado é esse que temos aqui: uma classe média e elite mundial altamente arrogante super rápida ao julgar os outros, mas inerte, inútil e pouco crítica em relação a si mesma.
Talvéz eu esteja sendo ingênua em acreditar que se comprometer com a alguma causa ou com alguém que precise de ajuda seja mais importante do que os motivos que levam alguém a fazer isso. Eu prefiro ser ingênua do que amarga. Mas como sei que fazer julgamentos faz parte do ser humano, aqui vai o meu: acho a maior besteira essa mania de criticar tudo, e olha que eu adoro criticar também. Criticar é bom e todo mundo gosta, mas a gente precisa aprender a determinar prioridades. Já que não dá pra se ter boa intenção e boa ação ao mesmo tempo, permitam que pelo menos as boas ações continuem sendo feitas. E ao invés de ficar parado, só criticando motivações dos outros, que tal descer do pedestal, arregaçar as mangas e ajudar também?

Samstag, 17. Mai 2014

Outra discussão

Uma das coisas mais gostosas deste mundo é filosofar com os amigos. As boas discussões nos enriquecem, nos fazem crescer, abrem portas para outros mundos. Nos bons debates um fala, o outro realmente escuta e logo depois contribui com o seu ponto de vista, que quanto mais diferente melhor! Uma boa discussão não precisa terminar com as duas partes concordando. Só precisa mesmo que elas se escutem e se respeitem.

A impressão que eu tenho é que o ser humano perdeu a habilidade de discutir. Quantas e quantas vezes participo ou observo conversas nas quais as pessoas acham que estão tendo uma discussão, mas não estão. São aqueles momentos em que você nota que a pessoa não está dando a menor bola pro que você está falando e sim articulando em sua cabeça o próximo contra argumento pra derrubar o seu. Isso não é discussão e sim monólogo. Tem tanta gente tão convencida da própria opinião que não importa quanto tempo vocês discutam, nada chega do outro lado, nada do que se diz deixa rastros de curiosidade ou espaço pra os questionamentos se formarem. Esses são os convencidos e arrogantes.Pessoas assim acham que discutir é tentar catequizar os outros e impor suas opiniões. Quem é assim normalmente vê as discussões como um jogo ou uma guerra que precisam vencer custe o que custar.

Além dos doutrinadores de plantão, existem os mal educados que acham que discutir é xingar, baixar o nível, desejar o mal aos outros. Desses aí a internet anda cheia. É o que mais se vê nas redes socias. Alguém comenta alguma coisa e sempre aparece alguém que tem uma opinião contrária, chamando o outro de ignorante, imbecil e outras coisas piores. Às vezes dá o maior desanimo de conversar com gente assim.

Mas não acho bom se deixar levar pelo desânimo e constantemente fugir desses confrontos. Sempre se isentar de opinar e contradizer, muitas vezes tem o mesmo efeito que concordar com uma opinião contrária. Então o que temos de fazer é saber escolher bem os momentos de nos expressar e reaprender a discutir. O problema é que pra saber discutir bem, a gente primeiro precisa saber no que a gente acredita, mas ao mesmo tempo ter humildade de reconhecer que mesmo muitas de nossas convicções mais fortes tem o potencial de estarem equivocadas em algum contexto diferente.

Hoje em dia, com toda a facilidade e rapidez com a qual podemos obter e divulgar informações é absolutamente fundamental treinar nossa habilidade de refletir e processar aquilo que chega até nosso conhecimento antes de sair por aí professando nossas "verdades". É o antigo "parar um pouco pra pensar" para só depois integar esses novos conceitos a nosso repertório de certezas. Depois de estar consciente daquilo que a gente acredita, chega a hora de exercitar o hábito de ouvir o outro com ouvidos, mentes e corações abertos. No final, ainda nos restam algumas escolhas, como por exemplo, reconhecer que o ponto de visa do outro faz mais sentido do que o nosso e mudar nossa forma de pensar, fazer algumas adaptações no que acreditamos ou deixar tudo como está.

Quanto a gente consegue atingir esse nível de responsabilidade com nossas opiniões e respeito com a dos outros, debater se torna uma atividade interessante, educativa e renovadora. Mas infelizmente em nossos tempos de correria, falta de amor e respeito ao próximo, nossa arrogância e superficialidade não nos permite perder muito tempo com isso. A única coisa que importa é achar a forma mais rápida de terminar a discussão que nos contraria nos sentindo vitoriosos. Quer forma mais fácil de conseguir isso do que dizer: "É nisso que eu acredito e quem não pensa igual a mim é idiota, portanto que vá tomar naquele canto e fim de papo"?

Freitag, 9. Mai 2014

Motivação

Passei um tempão paradona, sem postar nada, mas não por falta de idéias. Tem dias que estou fazendo as coisas mais rotineiras do mundo, tipo tomando banho ou lavando os pratos e de repente uma idéia ou lembrança chega de fininho e quando menos espero tenho um texto completo, fluindo sem dificuldade alguma em meu pensamento. Nessas horas me vem a vontade de parar tudo e sair correndo postar, mas logo desisto de fazer isso por pura falta de motivação. Blogar pra quê?

Mas a motivação tem me intrigado muito nos últimos tempo. Que força poderosa é essa? Uma pessoa motivada é capaz de coisas inacreditáveis. Motivação muitas vezes parece até milagre porque ela faz muitas pessoas conseguirem transformar o impossível.

Claro que existem vários tipos de motivação, mas o que tem me interessado no momento não é exatamente o que nos motiva e sim do que somos capazes quando achamos algo que faça sentido pra gente. De vez em quando estou sem motivação nenhuma. Acho que todo mundo passa por isso uma vez ou outra. Quando isso acontece pra mim fico me sentindo cansada, impaciente com tudo, faço o que tem de ter feito contando os minutos pra acabar. O dia a dia fica meio sem graça...

Quando estou motivada me sinto diferente. Essa diferença está no meu olhar, na forma como falo daquilo que realizo por causa dessa motivação, minha postura muda literalmente. Pode ser besteira, mas gosto mais de mim quando estou motivada. Me sinto mais feliz.

Comecei a perceber motivação (e das boas o que é melhor ainda) por toda parte. Nos meus alunos, que chegam sorrindo pra uma aula às sete da noite depois de um dia inteiro de trabalho, na minha sobrinha linda que me encontra na biblioteca na sexta-feira à tarde depois da escola pra estudar, na minha comadre que depois de um dia inteiro com três crianças pequenas consegue sair e ir treinar pra uma maratona, no meu companheiro que apesar de seu dia a dia cansativo entre escola e sindicato ainda planeja trabalho voluntário nas férias, na mulher desconhecida da academia que vai malhar levando seu bebê no carrinho...

Observar pessoas motivadas assim me inspira. Então à todas as pessoas que conseguem se manter assim, aqui vai minha admiração e muito obrigada por me ajudarem a reencontrar a minha.

Mittwoch, 1. Januar 2014

kkkkkkkk

Um dia desses eu fiz um teste na internet que me revelou que minha idade mental é 10. Não foi esse 10 que se diz na Bahia , "Que massa!, muito bom! É 10!" e sim minha idade mental é de 10 anos de idade. Apesar de saber que este teste é uma brincadeirinha, coisa pra passar o tempo e não pra ser levado a sério, confesso que fiquei chocada. Uma mulher com 37 anos com idade mental de 10 é muito preocupante e no mínimo significa que eu sou uma adulta meio abestalhada.



Na verdade eu vejo muitas vantagens em ser uma adulta bem besta. A primeira delas é a leveza. A maturidade nos traz um certo peso, uma certa preocupação com coisas que os abestalhados como eu não tem. Quem me conhece sabe que eu levo muita coisa a sério, mas quase sempre o que eu levo a sério são questões muito importantes mesmo. De resto, se algo pode ser encarado com humor é assim que eu encaro.



Pra minha sorte, eu encontrei um monte de outras pessoas exatamente assim pela vida. Tem muita gente leve e bem humorada por aí, que eu tenho a sorte de poder chamar de amigx e isso me enche de orgulho. Outra vantagem incontestável de ser besta é ter o riso frouxo. Às vezes fico até constrangida com as idiotices que me fazem rir por horas.
Ele tá mais pra bode espiatório. Ri muito quando vi isso pela primeira vez rsrsr.
Mas tirando a dificuldade de explicar pros outros porque estou rindo quando do nada me lembro de alguma besteira e não consigo segurar o riso, eu adoro ter a capacidade de achar graça em tudo e de rir nos mais loucos momentos. Mas além disso, eu adoro ter tantos amigos goiabas e tão bobões quanto eu, que entendem meu humor e gargalham comigo.



Queria que o mundo fosse uma grande piada pra que todos pudessemos viver a vida rindo. Como isso está longe de ser real, vou com mais calma e apenas desejo a todos um 2014 cheio de risos e gargalhadas.



Para os que acompanham meus devaneios aqui muito hahaha, hehehe e hihihi pra vocês rsrsrs.